O meu MARido O meu marido… A primeira vez que me referi a ele como "o meu marido", tive um ataque de riso, o qual não terá sido muito apreciado por ele. Pior, pior, só o ataque de tosse quando peguei na caneta para assinar “O Contrato” (nota: um ataque de tosse dentro de um corpete e uma saia de balão é uma provação). Eu acho que ele não vai querer festejar as bodas de prata, com receio que desta vez o ataque seja cardíaco.
Mas voltando ao meu marido, é viciado no mar. Poderão dizer que é saudável, proveitoso, relaxante, que há vícios piores. Ok! Podia ser viciado em substâncias estupidificantes, tipo álcool, jogo, o Benfica, mas para isso tinha-me casado com o Manuel Vilarinho. Mas o que vem por acréscimo deste vício do mar, é que torna a questão complicada. Sigam-me:
•Vou fazer uma salada. Vou abrir o frigorífico. Vou abrir a gaveta dos vegetais. O que é que eu encontro entre a rúcula e a courgette: minhocas embrulhadas num jornal, vulgarmente conhecidas por isco. Esquece a salada, vou comprar um frigorífico novo com alarme anti-invertebrados repugnantes.
•O meu marido é lindo. Não quero parecer Luciana Abreu, mas é verdade. Ele é mais uma prova do meu impecável sentido estético. Mas pescar, também é sinónimo de Carnaval, aliás, aqui encaixa-se melhor o Halloween, e já vão perceber porquê. Imaginem a seguinte peça de roupa: jardineiras/galochas. Dois em um, mas sem o odor frutado dos champôs. Em borracha verde, no tom “relva enlameada”. Ah, e não nos podemos esquecer do gorro com tapa-orelhas, que lhe confere o glamour dum lenhador. Tudo isto, num adulto com 38 anos. Isto é que é testar a libido da mulher (provas ultrapassadas com distinção, diga-se em abono da verdade).
• Ele vai pescar à noite. Eu juro que não adormeço até ele chegar, na esperança de lhe incutir algum tipo de sentimento de culpa. É claro que sozinha, acabo por entrar naquela dinâmica vinho tinto alentejano mais telecomando, e adormeço antes de acabar o genérico do episódio especial nº 3333 do CSI qualquer coisa. Acordo estremunhada, enquanto ele irrompe pelo quarto: “Olha, amor, olha!”. O que é que ele traz na mão? Hipótese A: um ramo de rosas vermelhas Hipótese B: aquele relógio novo da Calvin Klein Hipótese C: um alguidar de peixe. Sim, a bela pescaria é sinónimo de incenso de escama no meu quarto, às duas da manhã.
Aposto que por agora, já estavam dispostas a aceitar um cônjuge permanentemente etilizado, e cuja segunda casa é o Bingo da Luz, de braços abertos. Pois, mas isso é para quem gosta de facilitismos. As dificuldades a mim não me assustam, gosto de desafios. Aceito esta estrada ,sujeita às duras intempéries, características de quem se resignou a casar com um homem simpático, bonito, inteligente, e com escamas debaixo das unhas. Cada um tem a sua cruz!