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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Querida Dr.ª Rute: Onde foste?

Não há nada pior do que a sucessão das seguintes perguntas: Onde foste? Com quem estiveste? A fazer o quê? Já agora, querem também perguntar quem são, de onde vêm, para onde vão e se há vida em marte?

A metodologia do interrogatório numa relação é realmente assustadora. No entanto, pior é verificar que, se ocorre mais do que uma vez é porque a culpa é nossa. Se cairmos na ratoeira de responder nas primeiras ocasiões em que surgem estas questões, passa a existir a obrigatoriedade de responder a um relatório diário, onde temos de esmiuçar convenientemente os nossos passos desde que saímos da cama de manhã e até que nos voltamos a deitar. Pois é, tal como em muitos outros maus hábitos, a culpa é nossa, porque somos nós que temos de os educar. Temos de fazer ver que não somos o cartão e eles a máquina de picar ponto.

À primeira tentativa, há que responder com desprendimento! "Hás-de (e não hades) ter muito a ver com isso" é uma boa resposta, principalmente se dada com determinada entoação e movimento corporal que denote desprezo.

Se não for assim, estas perguntas vão perseguir a cara leitora até os últimos dias da relação... Portanto, cautela! É a querida amiga Rute que vos diz...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Querida Dr.ª Rute: Conselhos para uma alimentação equilibrada

Todas as mulheres deveriam de ter dois pratos, um de peixe e um de carne. O prato de peixe seria aquele mais meiguinho, mais atencioso, que nos faz falta quando nos estamos a sentir carentes e precisamos de uns mimos. O prato de carne é diferente, é mais saboroso, mais picante, e mais satisfatório! É aquele prato que temos de comer para nos sentirmos fisicamente arrebatadas! O prato de carne é aquele que deve de ser comido semanal ou quinzenalmente, porque de rotinas estamos nós fartas, por parte do peixe!

A distância temporal faz aumentar o apetite, assim como uma ementa apenas baseada em pratos de peixe... Assim sendo e para equilibrar a nossa dieta, creio que temos de diversificar a nossa alimentação!

Diz-se que o peixe é mais saudável do que a carne, no entanto, creio que será como comer um doce quando estamos de dieta, reprovamos, sabemos que não devemos, mas acabamos por comer. E, por vezes, ficamos com remorsos, porque nos soube muito bem, mas existem consequências. Por vezes os pratos de carne são mais dificeís de digerir e andamos dias com o estómago a remoer.

É assim com certos homens, sabemos que é melhor que nada aconteça, que é um erro nos envolvermos, mas acabamos por cair na tentação da carne. Dizem que o melhor será comer golfinho, que é meio carne e meio peixe...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Querida Dr.ª Rute: Os diminutivos

Queridos leitores, hoje vamos falar dos nomes pelos quais somos tratadas. Não há nada pior do que os diminutivos fofinhos que nos chamam. Termos como "fofa", "querida" (inclui queriduxa) ou "linda", podem deixar uma mulher louca, mas não no bom sentido. Ainda assim, estas denominações são suportáveis, quando comparadas com a magnificiência de "bébé". Este termo é muito mau. Até fico com vontade de dizer, "chama-me nomes, mas não me chames de bébé".

Aliado a estas denominações, que já são, por si só, assustadoras, surgem os diminutivos: "fofinha", "queridinha", "lindinha", ou a maior ofensa possível: bebezinho! Não há paciência para estas lamechices. Se nos querem tratar bem, não é preciso tratar por "anjo" ou "anjinho", podemos ter esse ar, mas também temos um nome próprio que pode ser convenientemente utilizado.

Há um termo ainda mais assustador, que pode provocar naúseas a mulheres mais sensíveis: "amor" ou "mor". É realmente muito mau, quando até estamos a ter uma relação agradável, e eles saem-se com o "oh mor". Epá, isso é que não! Não há paixão que dure. O pior é que há mulheres que até gostam. O amor é cego!

Mas há um termo vencedor, "the oscar goes to": morzinho! Este termo carinhoso é de facto o mais degradante deste conjunto todo! Eu nem sei qual seria a minha reacção perante esta denominação. Estupefacção seria certamente, não consigo é percepcionar o que faria depois de recuperar do choque, o que poderia demorar cerca de 2 meses. Depois de recuperar e sair da inércia que caracteriza tamanho choque, creio que teria de repensar todo o relacionamento. Mais ainda se não fosse reincidente, ou seja, se nunca tivesse utilizado os outros termos já referidos. Quando eles são utilizados, aí, podemos esperar tudo, até mesmo que nos tratem por "morzinho". No entanto, se o "mor" surgir do nada, acho que a primeira reacção é sentir que perdemos o chão, e que vamos cair redondas.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Querida Dr.ª Rute: Parcialidade vs Amizade Colorida (re-publicação)

No outro dia li algures que a paixão é sinónimo de parcialidade, ou seja, estar apaixonado é ser parcial... Apressei-me a consultar um dicionário, para confirmar o significado de parcial: favorável a uma das partes em litígio; pessoa partidária de alguém. Hum... Para parcialidade surgem as seguintes definições: Partido, fracção. Instala-se a confusão! Ora bem, é verdade que quando nos apaixonamos tomamos mais facilmente o partido do nosso “amante”, mas daí a ser sinónimo... Como não me considerei suficientemente clarificada, fui procurar a palavra paixão. O dicionário que consultei apresenta dez significados, sendo que o terceiro é: grande mágoa!! O sexto, lá está, é parcialidade. Afinal estar apaixonado é ser político! Que brilhante conclusão.

Gostei especialmente da décima definição: Colorido! Provavelmente deveríamos de criar uma nova denominação para a amizade colorida, uma vez que a cor pressupõe paixão! E é mais que certo que a maior parte das amizades coloridas não é ensombrada pela paixão... (a não ser que estejamos a falar da paixão carnal...). O problema surge quando na amizade colorida surge paixão... De um dos lados!

A grande vantagem da amizade colorida é não existiram laços, nem promessas, nem previsões para o futuro. Nunca se sabe quando vai acabar, apenas se sabe que vai morrer de morte natural. Este tipo de relacionamento – ou não relacionamento – deixa de fazer sentido quando se fazem exigências que vão para além da satisfação física.

Tenho, definitivamente, algumas objecções a esta definição. Para além da questão da cor, já expressa anteriormente, a palavra amizade não me parece ajustada. Amizade pressupõe uma relação harmoniosa, e harmonia é por vezes o mais difícil de encontrar neste tipo de relacionamento. Principalmente quando as perspectivas são diferentes!!

Um relacionamento baseado na amizade é caracterizado pela afeição e simpatia. Então, como é que uma amizade colorida, que se pretende que seja sem laços e sem sentimentos (pelo menos sentimentos profundos e importantes), pode ter como base, palavras, cujas definições contradizem as suas características principais? Temos utilizado as palavras erradas! Para definir relações erradas!

Defendo a alteração da denominação. Podemos trocar as palavras “amizade colorida” por “possível não-relacionamento engraçado até certo ponto”. Persiste a dúvida se será um relacionamento. Gostei bastante de verificar no meu dicionário que, para a palavra “relação” existe uma definição muito interessante: “trato social”. Bem, podemos considerar que será um trato social, mas numa sociedade composta por duas pessoas, cujo convívio se verifica entre 4 paredes...

Quanto à restante definição, considerei que a palavra colorido merecia ser substituída por uma que sublinhasse igualmente as vantagens desta relação, mas que, ao mesmo tempo, alertasse para os perigos da mesma. Assim sendo, será “engraçada até certo ponto”, uma vez que é engraçada até que começa a haver “cor” e a confundirem-se sentimentos! PS: Ainda bem que já passei esta fase e tenho uma pessoa brilhante ao meu lado!